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Artigos Semanais
O Reino do céu
12/11/2014

Flávio, o judeu grego, era um prosélito que não tendo sido circuncidado ou batizado, não tinha acesso ao templo; e já que era um grande amante do belo na arte e na escultura, a casa que ocupava enquanto permanecia em Jerusalém, era um belo edifício. E afinal, essa casa era adornada com tesouros sem preço que ele havia reunido aqui e ali nas suas viagens pelo mundo. Quando primeiro pensou em convidar Jesus para ficar na sua casa, ele temeu que o Mestre pudesse ofender-se ao ver essas assim consideradas, imagens. Flávio, contudo, ficou agradavelmente surpreso quando Jesus entrou e em vez de reprová-lo por ter esses objetos supostamente idólatras espalhados pela casa, manifestou um grande interesse por toda a coleção e fez muitas perguntas de reconhecimento sobre cada objeto, enquanto Flávio acompanhava-o de aposento em aposento, mostrando-lhe todas as suas esculturas favoritas.

O Mestre percebeu que o seu anfitrião estava surpreso com a sua atitude amistosa para com a arte; e, conseqüentemente quando eles haviam terminado de ver toda a coleção Jesus disse: “Deverias esperar a minha reprovação pelo fato de apreciares a beleza das coisas criadas pelo meu Pai e confeccionadas pelas mãos artísticas do homem? Moisés, certa vez procurou combater a idolatria e a adoração de deuses falsos; mas por isso deveriam todos os homens ver com desagrado a reprodução da graça e da beleza? Eu te digo, Flávio, os filhos de Moisés não o compreenderam e ainda agora, transformam em falsos deuses até mesmo as suas proibições de imagens e de coisas celestes e terrestres. Todavia, ainda que Moisés houvesse ensinado essas restrições às mentes sem iluminação daqueles dias, o que teria isso a ver com os dias de hoje, nos quais o Pai no céu é revelado como um Soberano Espiritual universal acima de tudo? E, Flávio, eu declaro que no Reino que se aproxima não mais se ensinará que não deveis adorar isso, nem adoreis aquilo, não mais haverá preocupação com mandamentos proibindo coisas ou indicando cuidados de que não se faça isso nem aquilo, mas antes todos estarão ocupados com um dever supremo. E esse dever do homem expressa-se em dois grandes privilégios, a adoração sincera ao Criador infinito, o Pai do Paraíso e o serviço de amor aos nossos semelhantes. Se tu amas o teu semelhante como amas a ti próprio, realmente sabes que é filho de Deus.

“Numa idade em que o meu Pai não era bem compreendido, justificavam-se as tentativas de Moisés de conter a idolatria, mas na idade vindoura o Pai terá sido revelado na vida do Filho e essa nova revelação de Deus fará para sempre com que, não tenha mais sentido em confundir o Pai Criador com ídolos de pedra ou com imagens de ouro e de prata. Doravante, os homens inteligentes podem desfrutar dos tesouros da arte sem confundir essa apreciação material da beleza com a adoração e o serviço do Pai no Paraíso, o Deus de todas as coisas e de todos os seres”.

Flávio acreditou em tudo o que Jesus lhe ensinou. No dia seguinte ele seguiu para Betânia, além do Jordão, e foi batizado pelos discípulos de João. E assim sucedeu porque os apóstolos de Jesus ainda não batizavam os crentes. Quando Flávio voltou a Jerusalém, fez uma grande festa para Jesus e convidou sessenta dos seus amigos. E muitos desses convidados também se tornaram crentes na mensagem do Reino vindouro.

Do documento 142 do Livro de Urântia

Enio Chiappetti

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